23.1.08

(...)Aturdido por duas saudades colocadas de frente uma para outra como dois espelhos, perdeu o seu maravilhoso sentido de irrealidade até que terminou por recomendar a todos que fossem embora de Macondo, que esquecessem tudo o que ele ensinara do mundo e do coração humano, que cagassem para Horácio e que em qualquer lugar em que estivessem se lembrassem sempre de que o passado era mentira, que a memória não tinha caminhos de regresso, que toda primavera antiga era irrecuperável e que o amor mais desatinado e tenaz não passava de uma verdade efêmera.

García Márquez,Gabriel,1928-Cem Anos de Solidão;59ª ed.p.381.

9.1.08

Cem anos de solidão ou apenas as férias

Tenho passado este mês com Gabriel,
escuto os opróbrios dos seus personagens que tiveram muitos anos de sofrimento e miséria para conquistar os privilégios da solidão. Com ele divido o meu macilento começo de ano. Me sinto uma Buendia odiando a idéia de viver fracassos sentimentais durante as datas mais importantes da "cultura subdesenvolvida de terceiro mundo". A desilusão e o triunfo da perda é tão grande que poderia ser Amaranta.
Ao menos divido isso com o homem que usou de muitas facetas para dizer que morreria sem problemas de amor e ainda que todos somos qualquer um...qualquer. Qualquer um qualquer.